Ano novo, momentos de recomeço, de projeção do futuro com esperança na concretização dos nossos desejos e objetivos. Mas pensemos em como os definimos… Serão alcançáveis? Serão realistas? Terão em consideração os nossos limites enquanto seres humanos?
Talvez estas perguntas mereçam uma reflexão séria para evitar desânimo, criando uma espiral de sabotagem e ativando um discurso interno auto-destrutivo. Estes pensamentos podem tornar-se intrusivos, tendo implicações no bem-estar emocional e, consequentemente, um impacto significativo no funcionamento pessoal, laboral e profissional.
Porém, não se confunda esta reflexão com negativismo, mas sim como um ajuste daquilo que desejamos à nossa realidade. Esta reflexão evita cairmos num positivismo exacerbado que muitas vezes nos faz acreditar que temos de ser perfeitos e que essa é a nossa obrigação. Segundo essa perspetiva, não aceitamos as nossas falhas, às quais também temos direito, nem consideramos como possibilidade a redefinição de objetivos. Se o fizermos, sentimo-nos desiludidos connosco e ativamos as vozes internas da insegurança que nos podem impedir de avançarmos.
Ao pensar no futuro, sejamos mais conscientes dos nossos limites e do grau de exigência que colocamos a nós próprios. Pensemos em objetivos atingíveis e progressivos. Comecemos com pequenas mudanças que poderão ser complexificadas à medida que nos sentimos preparados para o fazer. Como num jogo, em que existem níveis que vamos tentando passar. Se não o passamos, recomeçamos e voltamos a tentar. A cada nível atingido, os sentimentos de competência e de realização vão-se apoderando de nós e incentivam-nos à tão desejada mudança.
Bom ano!
Artigo escrito por: Catarina Sá (Psicóloga no Centro de Conforto e Saúde)

