As férias começaram. E com elas, talvez tenha chegado aquele desejo de abrandar o ritmo, de passar mais tempo em família, de aproveitar momentos simples com os filhos. Mas, por alguma razão, a realidade está a ser bem diferente do que se imaginava.
Talvez os dias estejam a parecer mais longos, as birras mais frequentes, o sono mais difícil. Talvez o seu filho, que já dormia sozinho, agora peça para ir para a sua cama. Ou aquele medo do escuro, que parecia ultrapassado, tenha voltado. Talvez sinta que tudo o que estava a correr bem… agora parece ter recuado.
Se se sente assim, não está sozinho/a.
E não está a falhar.
Quando tudo muda, até o comportamento muda.
Durante o ano letivo, os dias da criança seguem uma rotina. Mesmo quando é cansativo, há uma previsibilidade que a ajuda a sentir-se segura. As horas de acordar, os colegas de turma, a professora, os espaços — tudo contribui para uma sensação de estabilidade.
Mas nas férias, esse chão desaparece. As rotinas mudam. Os horários desregulam-se. O ambiente é outro. E, para muitas crianças, essa mudança é sentida de forma intensa.
Aquilo que para os adultos pode parecer liberdade, para os mais pequenos pode ser vivenciado como perda de referências.
E quando por fora tudo muda, o interior da criança também se reorganiza.
Às vezes, isso traduz-se em birras, medos, dificuldades no sono, maior dependência.
Comportamentos que parecem desafiar, mas que, no fundo, são pedidos.
Pedidos de segurança. Pedidos de ligação.
E se for só uma fase?
E se o que está a ver for um sinal de crescimento?
É natural ficar confuso. Ou até frustrado. Afinal, tanto esforço foi feito durante o ano… e agora parece que tudo voltou atrás. Mas a verdade é que a infância não é uma linha reta. Há avanços e recuos. E isso faz parte do desenvolvimento saudável.
As férias não anulam o progresso feito. Apenas expõem novas necessidades.
Muitas vezes, a criança sente-se vulnerável e tenta, à sua maneira, mostrar isso.
Pode não saber dizer:
“Estou com saudades da escola.”
“Sinto falta da minha rotina.”
“Não sei bem o que esperar destes dias…”
Então expressa-se como sabe: com o corpo, com o comportamento, com gestos que às vezes desorganizam todo o ambiente familiar.
Mas não é má educação. Não é ingratidão.
É tentativa de adaptação.
E agora? O que pode ajudar?
✅ Voltar a criar alguma previsibilidade nos dias: refeições, sono, rituais
✅ Validar os sentimentos, mesmo quando parecem exagerados
✅ Reduzir o número de atividades e deixar espaço para estar só… juntos
✅ Lembrar-se de que o filho está a ajustar-se — tal como os adultos
O seu filho não precisa de umas férias perfeitas.
Precisa de si. Presente. Disponível. Com o coração aberto.
E se estiver a ser difícil?
É completamente compreensível. Também os pais precisam de sentir que não estão sozinhos. Que aquilo que estão a viver é legítimo. Que há apoio e ferramentas disponíveis.
No Centro de Conforto e Saúde, estamos cá para ajudar — com escuta, com cuidado e com estratégias ajustadas à realidade de cada família.
Se sente que estes dias têm trazido mais tensão do que tranquilidade, talvez seja altura de cuidar também de si. Porque a segurança emocional da criança começa, muitas vezes, no bem-estar de quem a acompanha.
Estamos por cá, com quem sabe ouvir — e sabe orientar.