Nem sempre é fácil perceber quando a saúde mental está a ser afetada. Muitas vezes, vamos adiando sinais, justificando comportamentos, habituando-nos ao mal-estar. Vamos dizendo a nós próprios que é só cansaço, que vai passar, que é uma fase. E nas crianças, então? Ainda mais difícil. O choro, as birras, o isolamento, o medo… podem parecer normais, mas por vezes são alertas silenciosos de que algo não está bem.
Na prática clínica, é frequente ouvir frases como “Eu já não sou como era”, “Já não tenho paciência para nada”, “Só me apetece desaparecer”. São sinais claros de que aquela pessoa está a viver um sofrimento real — mesmo que ainda não tenha nome. E é importante dizer isto: não é preciso estar “no limite” para procurar ajuda. Aliás, quanto mais cedo se intervém, melhor.
Nos adultos, alguns sinais surgem de forma subtil. O sono desregulado, o cansaço persistente, as alterações de humor, a falta de prazer em coisas simples, o afastamento social. Muitas vezes, é quem está de fora que repara primeiro. E é normal. Estamos tão ocupados a dar conta de tudo que deixamos de olhar para dentro.
Nas crianças, o corpo e o comportamento falam. Uma criança que estava bem e de repente começa a recusar ir à escola, tem pesadelos frequentes, queixa-se de dores de barriga ou se isola dos outros, está a comunicar algo. Pode ser ansiedade, medo, insegurança — ou simplesmente algo que não consegue verbalizar. E precisa de um espaço seguro para ser ouvida e compreendida.
Não é fácil reconhecer que precisamos de ajuda. Por vezes, sentimos vergonha, culpa ou até medo do que vamos descobrir. Mas procurar apoio é, na verdade, um gesto de coragem. É dizer: “Eu importo-me comigo” ou “Eu quero ajudar o meu filho a sentir-se melhor”.
No Centro de Conforto e Saúde, recebemos diariamente pessoas com estas dúvidas. Famílias que querem perceber melhor os comportamentos dos filhos. Adultos que sentem que algo mudou, mas não sabem bem o quê. A consulta de psiquiatria ou pedopsiquiatria pode ser o primeiro passo para compreender, aliviar e transformar.
Se sente que algo não está bem — em si ou em quem ama — fale connosco. A saúde mental merece atenção, cuidado e tempo. Estamos aqui para cuidar!