As crias humanas nascem com dois grandes objetivos: sobreviver e prosperar.
Gabor Maté, fala-nos de um terceiro objetivo que é a autenticidade.
É nesta autenticidade que nós, enquanto sociedade, mais interferimos e deixamos que os nossos padrões culturais façam com que se desenvolva de uma forma, às vezes, um pouco camuflada com as nossas mantas da educação, do deve e não deve, do deixo e não deixo. Dando aos bebés e crianças pouca oportunidade de exploração, toldando e moldando aquilo que de mais verdadeiro têm.
A Constança Cordeiro Ferreira, nos seus livros descreve o “Kit Biológico de sobrevivência”, ou seja, os bebés nascem com inúmeras competências que os fazem sobreviver e prosperar, mas dependem totalmente de um cuidador que se ligue a este bebé, como “uma tomada e uma ficha”.
Neste kit biológico, os bebés trazem sistemas de alerta que os mantêm despertos para sensações térmicas, para o batimento cardíaco e respiratório, para a sensação de fome ou de desconforto, por exemplo. Emocionalmente os bebés também reclamam da presença de um cuidador para que se desenvolva social e emocionalmente de forma inteligente como nos fala o pediatra Niels Bergman.
As bochechas dos bebés de termo são gordinhas, acumulam gordura no último trimestre de gravidez, porque este bebé precisa de assegurar que quem está à sua volta se apaixone por ele.
Esta robustez garante que os progenitores não se vão embora, é fisiológico, pois ele dependerá totalmente daquele cuidador para sobreviver.
Nos bebés prematuros é necessário fazer um trabalho de reconhecimento e aceitação para que
a parte racional do nosso cérebro envie informações para o campo cerebral mais antigo, que
abrange as nossas emoções e o nosso instinto e que realize um processo de aceitação, que
invista naquele bebé e que assegure a sua sobrevivência.
Os olhos grandes do bebé, desproporcionais à face nos primeiros tempos, são os mecanismos de comunicação e reconhecimento que o bebé necessita assim que nasce. Se colocarmos o bebé em cima da barriga da mãe, estes mecanismos vão ser ativados e o bebé gatinha e segue a linha
nigra, mais escura da barriga que se formou durante a gravidez, que tem a mesma cor da aréola mamária, até que olha e vê pela primeira vez o rosto da mãe.
Os bebés comunicam as suas necessidades através da sua expressão corporal, da forma que colocam as mãos, pés, movimentos dos braços e pernas, a postura corporal, o olhar, a expressão do rosto, abrir e fechar a boca, cerrar os olhos, entre muitos outros…
Se observarmos atentamente um bebé, facilmente perceberemos que todo o seu corpo, todo o seu sistema metabólico funciona na perfeição e o nosso papel enquanto cuidadores, é sermos responsivos, ou seja, responder e atender às suas necessidades e isso implica um processo fundamental de tentativa erro, de descoberta!
Os bebés são muito imaturos, mas muito competentes!
Artigo escrito por: Helena Costa (Educadora conselheira de parentalidade e amamentação no Centro Conforto e Saúde)

