A realidade atual da grande maioria das famílias é pautada por inúmeros desafios relacionados com a exigência do mundo laboral dos adultos, a nova realidade digital de filhos e pais, as características e o estado atual do ensino em Portugal, a multiplicidade de estímulos externos ao contexto familiar, a dificuldade de garantir retaguarda apoiante, as adversidades económicas e financeiras, entre outros.
No âmbito do casal, esta realidade multidesafiante reflete-se em dificuldades acrescidas na conciliação do tempo individual (pessoal, social e laboral), com o tempo familiar e com o tempo a dois. Esta tríade de necessidades que parece tão utópica para a grande maioria de nós e que, nos tempos destes tempos, facilmente escapa sem que nos apercebamos da sua emergência contínua.
É sem dúvida neste contexto que surge a maioria dos pedidos de consulta de terapia de casal. Com sintomas e queixas muito díspares mas que surgem no contexto de adultos exaustos, desconectados consigo próprios e com o parceiro com quem diariamente continuam a escolher partilhar estes tempos, mesmo quando eles são difíceis de respeitar.
A terapia de casal aparece, assim, frequentemente, como uma tábua de salvação. O último recurso a recorrer quando todas as tentativas e esforços parecem falhar. Se é verdade que as ferramentas usadas neste contexto terapêutico nos permitem trabalhar a reconexão do casal, a recuperação da base segura, a comunicação, a negociação, a resolução de conflito, a empatia e a liberdade, não menos verdade será que a disponibilidade para alterar os tempos e flexibilizar as necessidades é um trabalho individual insubstituível dos dois elementos do casal e do casal como unidade.
A tábua que suporta o casal, a sua relação e a sua condição de futuro está nele mesmo, na díade, no vínculo e na escolha de dois indivíduos! A terapia de casal surge, então, como facilitadora de um imperativo comum, de uma recuperação, de um recomeço diário. Um trampolim de progresso que, com evidência de eficácia, é uma ferramenta, nunca uma tentativa.
Artigo escrito por: Raquel Geraldes (Terapeuta de Casal no Centro de Conforto e Saúde)

