Quando a ansiedade se disfarça de birra ou de silêncio

Há dias em que uma mãe acorda e sente logo que algo não está bem.


O pequeno levanta-se mais irritado, não quer vestir-se, reclama da roupa, do pequeno-almoço, da mochila.
Outros dias, é o contrário: fica calado, distante, parece perdido dentro de si.
E o coração de mãe aperta-se, sem perceber muito bem porquê.

“Será birra?” — pensa.
“Será cansaço?” — repete.

 

Mas lá no fundo sabe que não é só isso.
Há algo a querer dizer-se, mesmo que sem palavras.

A ansiedade nas crianças tem esta forma curiosa de se esconder,

disfarça-se de comportamento.

Às vezes grita em birras. Outras vezes cala-se em silêncios.
E no meio da correria dos dias, é fácil acharmos que é apenas mais uma fase, que vai passar.
Mas o que se passa, na verdade, é que há uma criança a tentar pedir ajuda — à sua maneira.

 

Os adultos chamam-lhe “ansiedade”.
Mas para quem a sente, é uma confusão enorme por dentro.
É o corpo a reagir a medos que a cabeça ainda não sabe explicar.
É o coração a bater depressa sem saber porquê.
É a barriga a doer quando o medo não encontra saída.

E é aqui que os pais entram:

Não para resolver tudo, mas para estar presentes.
Para ouvir, mesmo quando o que se ouve é silêncio.
Para abraçar, mesmo quando o que se sente é resistência.
Porque, às vezes, o que uma criança mais precisa não é que lhe digam o que tem —
é que alguém a olhe e diga: “eu vejo-te, e estou aqui”.

No Centro de Conforto e Saúde, vemos todos os dias o que acontece quando se dá espaço à compreensão.


Quando as birras se transformam em palavras.
Quando o medo se transforma em conversa.
Quando o silêncio, aos poucos, se transforma em respiração tranquila.

 

A ansiedade não é uma falha. É um pedido de abrigo.
E quando há abrigo, há calma.
E quando há calma, volta o riso.

Talvez não no mesmo dia. Talvez não de repente.
Mas volta.
E isso, para um pai ou uma mãe, é tudo. 🌿

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