Cuidar da saúde mental de bebés, crianças e adolescentes é fundamental para que se possam devolver de uma forma harmoniosa e, dessa forma, tornarem-se adultos mais saudáveis.
A Psiquiatria da Infância e Adolescência é uma especialidade médica autónoma, que não faz parte da Psiquiatria de adultos nem da Pediatria, apesar de se dirigir a crianças e adolescentes em idade pediátrica (dos zero aos dezoito anos).
O seu objetivo é avaliar, diagnosticar e tratar crianças, de forma temporária ou permanente, as suas emoções, os seus comportamentos, a sua capacidade de socializar, entre outros.
A procura de uma consulta desta especialidade não significa necessariamente que a criança/adolescente tenha uma doença instalada ou que haja sintomas muito graves.
Pode ser um recurso quando os pais têm alguma preocupação relativamente aos sentimentos e comportamentos de um filho.
No entanto, o sinal mais generalista, mas também mais abrangente, é uma alteração no funcionamento habitual da criança ou do adolescente: uma criança que brincava diariamente e que deixou de brincar, um jovem que adorava ir à aula de música e que passou a recusar fazê-lo.
É preciso tempo em Pedopsiquiatria. Mas é preciso, igualmente, não perder tempo.
Quanto mais instalados forem os quadros clínicos, mais difíceis são de reverter. Intervenções mais precoces estão, naturalmente, associadas a melhores prognósticos.
Ao apostar na saúde mental das crianças e adolescentes, para além de lhes propiciar um crescimento mais estabilizado numa fase muito importante da vida, estamos a ajudar as famílias e também a contribuir para a prevenção de patologia mental na idade adulta.
A intervenção em Pedopsiquiatria é feita em equipa e, sempre que necessário, em articulação com outras especialidades das áreas da saúde ou da educação. Os pedopsiquiatras trabalham conjuntamente com professores, psicólogos (mesmo que não façam parte da rede hospitalar) ou outros técnicos cuja presença é relevante na vida de quem procurou este apoio, e que possa também ter um papel importante na melhoria do paciente.
O acompanhamento especializado pode ser realizado através de consultas terapêuticas com intervenção familiar, consultas psicoterapêuticas e, em situações específicas, também consultas ao domicílio.
Existe também a possibilidade de serem realizadas intervenções em grupo, com pacientes específicos cujas características podem beneficiar de uma intervenção num contexto de pares, agrupados de acordo com sintomatologia e faixa etária.
Pode ser necessário medicar, mas ir a uma consulta de Pedopsiquiatria não é sinónimo de se sair do gabinete com um medicamento prescrito – a intervenção psicofarmacológica é apenas uma via de intervenção das tantas que existem à disponibilidade do pedopsiquiatra.
Artigo escrito pela equipa do Centro de Conforto e Saúde

