Quando pensamos em saúde, é comum darmos prioridade ao corpo — às febres, às dores, às doenças visíveis.
Mas e a saúde mental? E o que não se vê, mas se sente? Na infância, este aspeto é frequentemente ignorado ou relativizado, com explicações do tipo “são fases”, “é só manha” ou “é normal para a idade”. No entanto, a infância é precisamente o tempo em que as fundações emocionais se constroem — a forma como a criança aprende a reconhecer o que sente, a confiar nos outros e a desenvolver uma imagem segura de si mesma.
Nem sempre os sinais de sofrimento emocional são óbvios. Uma criança não nos vai dizer que está ansiosa ou emocionalmente sobrecarregada. Mas pode mostrar-nos através de comportamentos como isolamento, regressões, birras mais frequentes, dificuldades em dormir, medos exagerados, alterações no apetite ou até queixas físicas como dores de barriga ou de cabeça, sem causa médica identificável. Estes sinais não devem ser ignorados, pois muitas vezes são formas que a criança encontra para expressar o que ainda não consegue traduzir em palavras.
Como adultos, temos o papel fundamental de estar atentos, mas sobretudo de estar disponíveis. Escutar com empatia, validar o que é sentido e criar um ambiente seguro onde a criança se sinta autorizada a ser vulnerável, é o primeiro passo para cuidar da sua saúde emocional.
Criar momentos calmos e previsíveis para conversar, como ao final do dia ou antes de dormir, permite à criança partilhar o que sente com menos pressão. Utilizar o desenho ou o brincar como meio de expressão pode ser especialmente eficaz nas idades mais precoces, onde a linguagem verbal ainda está em desenvolvimento. Nomear emoções com naturalidade — como dizer “estás zangado”, “estás desiludido”, “estás assustado” — ajuda a criança a dar significado ao que sente, e oferece-lhe vocabulário emocional. Evitar interromper, corrigir ou desvalorizar (“isso não é nada”) quando a criança se abre é essencial para manter a confiança. Finalmente, se notarmos alterações persistentes no comportamento ou nas emoções, é fundamental procurar ajuda especializada.
No Centro de Conforto e Saúde, acolhemos famílias com empatia e profissionalismo. A nossa equipa de psicólogos e pedopsiquiatras está preparada para acompanhar cada criança respeitando o seu ritmo, a sua história e a sua individualidade.
Cuidar da saúde mental das crianças não é exagero. É responsabilidade. É investir num presente mais leve e num futuro mais estável. Se sentes que o teu filho está diferente — mais triste, mais ansioso, mais reativo — não hesites em procurar apoio. Às vezes, uma conversa muda tudo. Outras vezes, um acompanhamento especializado muda o rumo.
Estamos aqui para caminhar contigo — com escuta, com tempo, com cuidado.
Catarina Sá
Psicóloga

